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Campo Grande (MS), quarta-feira, 8 de setembro de 2010 - 08h50 m

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Jonas Bloch elogia política cultural do Estado
Cultura
21/1/2005 - 15:02
O ator Jonas Bloch esteve na Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul na manhã de sexta, 21 de janeiro. O carioca de 65 anos se reuniu com o diretor-presidente da Fundação de Cultura, Pedro Ortale, e com o produtor cultural e coordenador do 2º Festival de Cinema de Campo Grande, Nilson Rodrigues. Jonas concluiu a oficina de interpretação que realizou no Museu de Imagem e do Som, dentro da programação do Curso Básico de Cinema. O ator também aproveita para divulgar os dois filmes de que participa e que estão sendo exibidos no 2º Festival de Cinema de Campo Grande: “Cabra Cega” e “Filhas do Vento”. “Estive quatro vezes em Campo Grande e sempre que venho gosto mais ainda da cidade e da população. Espero que esta parceria aumente cada vez”, ressalta o ator.

Empolgado com projetos culturais desenvolvidos pelo Estado, como o Festival América do Sul e o Festival de Cinema, Jonas faz questão de ressaltar a importância de se ter uma política cultural voltada para a formação de talentos e a integração artística dos países sul-americanos. Com dezenas de trabalhos na televisão, cinema e teatro, o ator é extremamente simpático e fica longe do glamour costumeiro dos artistas em ascensão na televisão brasileira. “Adorei a sopa paraguaia e comi peixes excelentes em Campo Grande. Estou me sentindo em casa já”, brinca.
Abaixo, a entrevista concedida por Jonas Bloch:

P – Você arriscaria uma análise breve sobre a cultura em Campo Grande?
R – É a melhor possível. Assisti ao vídeo do Festival América do Sul e me senti muito orgulhoso de saber que tem no país uma Secretaria e Fundação de Cultura realizando um trabalho com esta grande categoria e importância. É a quarta vez que venho a Campo Grande. Sinto que existe uma vibração local, uma alegria e uma vontade de realização que é a melhor coisa que se pode encontrar para estimular culturalmente uma cidade. Acho que é da maior importância este trabalho da Fundação. A população precisa disso, não só por uma carência cultural, mas porque as escolas não dão uma formação suficiente. Soube que os trilhos da cidade foram retirados e parte da população acha que isso é progresso. Então não há uma compreensão do significado da preservação histórica. Todo mundo quer ir para a Europa, ver a cultura tradicional, mas em seu próprio país acha que tem de derrubar. E não entende a importância disso. Não só pelo lado da preservação da identidade brasileira, mas que a gente evolua em uma sociedade que está tão consumista e individualista e tão apoiado na superficialidade. Basta ver a preocupação com a vida dos outros, por exemplo, que faz do Big Brother Brasil um sucesso, e o consumismo, o culto ao corpo... Tudo isso mostra que estamos em uma sociedade superficial e leviana. E não se constrói um país e nem se leva uma sociedade avante com tanta bobagem e com tanta gente boba acreditando que isso é um valor. A gente está com uma violência cada vez maior, e isso é um dos resultados de um cinema americano cada vez mais violento...

P – Mas a própria televisão brasileira não teria parte da culpa também?
R – A nossa televisão é uma indústria que tem de satisfazer os patrocinadores, e o próprio público acaba impondo isto também. Mas apesar disso, a tevê consegue mesmo com a fórmula do folhetin, fazer alguns retratos da estrutura social, especialmente nas minisséries, da história do país e mostrar estruturas de poder corruptos nos seus valores, equilibrando o atendimento ao mercado e a denúncia da falsidade e hipocrisia geral.

P – Como você acredita que o ator sul-mato-grossense deveria proceder na profissão? Ir para o eixo Rio-SP ou manter-se em sua própria região?
R – Não tenho a menor dúvida. Se continuar este trabalho tão lindo que a Fundação de Cultura de MS está fazendo, mais dia menos dia, nós teremos público local e grupos auto-sustentáveis. Isso já está acontecendo no RS, em Recife, em Brasília... Desde que as pessoas comecem a evoluir, através destes cursos que a fundação está oferecendo por exemplo, e consiga armar uma estrutura de viagem pelas várias cidades para poder ampliar o mercado, se pagar a produção e sustentar os atores. Acho que isso é uma questão de tempo. O Mato Grosso do Sul é novo e, se o processo não for interrompido, mais dia menos dia irão até me contratar para trabalhar aqui. O Amarelo Manga, que veio ano passado para o Festival de Cinema de Campo Grande, ganhou 30 prêmios pelo mundo inteiro e é de Pernambuco. Tenho convite para fazer cinema na Bahia. Ou seja. Já está acontecendo no país de ter focos de produção. Mas a confiança nos grupos locais vai sendo conquistada à medida que eles vão evoluindo e apresentarem bons trabalhos.

P – O que representa para você como profissional administrar estes cursos de interpretação em locais distantes do Rio-SP?
R – Além de ser um mercado paralelo, é uma missão. O ator tem a responsabilidade de transmitir a sua experiência. Recebi muito na minha vida de outras pessoas, que me passaram a experiência delas, e isto é uma somatória. Vivi várias fases do ator no Brasil. A que tinha que ter outro emprego, a fase que o ator era um mensageiro da luta contra o regime militar, a fase mais superficial, que foi a retomada, e a atual que é muito bonita. Então, acima de tudo, é uma missão viajar o país comandando estes cursos. A primeira coisa que digo para meus alunos é que somos um instrumento, não somos a música. E tem muita gente que pensa que é a música.

Com informações do MS Notícias


 
 
 

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