Representantes do Ministério da Saúde chegaram a Campo Grande esta manhã para avaliar de perto a situação da Santa Casa da Capital. A vinda dos técnicos faz parte do processo de intervenção que o hospital deve sofrer, para tentar por fim à situação de crise que já dura anos e que se agravou nos últimos meses, comprometendo a rede pública de saúde. Uma das medidas anunciadas é a revisão de todos os contratos do hospital.
Estão na cidade a coordenadora Elaine Lopez, o consultor Ernesto Azevedo e o consultor do Ministério da Saúde, Paulo Tarcísio, nomeado diretor-técnico da Santa Casa de Belo Horizonte, que sofreu intervenção no ano passado.
Os três técnicos são especializados em Atenção Hospitalar e vão estudar um novo modelo de administração para a Santa Casa junto com os gestores do SUS (Sistema Único de Saúde) de Campo Grande. A nova gestão do hospital deverá ter participação de representantes da União, Estado e Município. As mudanças devem incluir o afastamento da atual diretoria.
A Santa Casa de Campo Grande está afogada em dívidas no valor de R$ 37 milhões. Alegando não ter condições de manter o funcionamento, restringiu o atendimento, esvaziou leitos e fechou o Pronto Socorro.
O hospital enfrenta dificuldade para pagar a folha de pagamento. O salário de dezembro só foi pagado na terça-feira. O 13º salário ainda não foi integralmente pago. O hospital deve R$ 5 milhões aos fornecedores, que suspenderam repasse de material.
São R$ 6 milhões somente com a Enersul (Empresa Energética de Mato Grosso do Sul.
No ano passado, após greve de parte do corpo clínico, o hospital firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público, que incluiu a contratação do consultor do Ministério da Saúde João Carlos Franco, como superintendente. Na semana passada, Franco foi demitido.
A Santa Casa é uma Associação Beneficente que se transformou no maior hospital do Estado, atendendo, além de pacientes da Capital, pessoas que vêm de cidades do interior e até países vizinhos, como Paraguai e Bolívia. A instituição, com 76 anos de existência, tem hoje 89% dos pacientes são atendidos pelo SUS. O hospital tornou-se referência regional em seis especialidades: a CTI Neonatal, em parto de alto risco e de gestante com HIV; atendimento de queimados; ortopedia; oftalmologia e neurocirurgia.
Enquanto a solução para a crise na instituição não vem, os outros hospitais públicos estão no limite da capacidade de atendimento. No Hospital Universitário, o atendimento dobrou. No Hospital Regional, mais de 90% dos leitos estão ocupados.
Com informações do Campo Grande News
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